sexta-feira, abril 14, 2006

E procurava viajar pela aproximação conceptual daquilo cuja consistência me era estrangeira.
Depois, às vezes, deixava-me arrastar pelo vento em pretensão a tornado.
A submissa verdade em suspenso baloiçava, de um ramo antigo e débil.
Quanto mais se definia, pelo primor do hábito e da adaptação involuntária pensada, o modelo usurpava-se do objecto e desfocava-o ao dar-lhe uma resolução.
A natureza misticamente morta do passado do futuro espreitava pelas frestas da janela fotográfica e soprava, de esquecida, a brisa recém-dissolvida da claridade fresca invisível.
A reflexividade do imperceptível, antónimo de imprecisão, fazia-se sentir póstuma e analíticamente (ao não se fazer sentir, como é evidente).
O mistério ocultava-se deixando de o ser, para que mais tarde pudesse regressar em força, com os braços pendentes, brandos e desfolhados após a força da tempestade.
Um cérebro, reaproveitado corpo de reflexão recriativa, refinar-se-á contraste enquanto mente dramática de lembranças do comando disseminado posterior pela funcionalidade impaciente, sobejando na beira do prato de alma a própria, prato de propriedade no sentido possessivo da palavra, pela liberdade, fim de míngua.
Mas enquanto isso, só a antevisão entrincheirada povoará uma espécie de guerra sem oponentes, conjunto de repetições de ruídos que perderam os tiros por disparar, confusos por isso, disfarces por isso.